O mundo está ao contrário e ninguém reparou…”

 

Talvez o mundo em si não esteja – e isso seria assunto para uma outra discussão – mas, certamente, o modo de enxergá-lo e compartilhá-lo com o outro, sim.

 

É cada vez mais urgente a necessidade de adequação ao tempo em que vivemos, onde tudo é “líquido” (como defendia Bauman) e as mudanças são voláteis e efêmeras. No mundo da comunicação e do marketing, essa velocidade parece acontecer acelerada na velocidade da luz. Por isso, há quem defenda que o digital já nem se enquadra mais no que é tendência, mas seja tão natural para o desempenho de outros segmentos como é a energia elétrica ou a água encanada.

 

Hoje, é preciso estar atento e inovar de verdade. Isso engloba percepção e mudança de processos e estratégias. A era digital já se figura como passado. Vai compor capítulos em livros de história (ou artigos em e-books) logo atrás de nossa conhecida revolução digital protagonizada pela velha conhecida world wide web oriunda da década de 90 – interessante lembrar que muitos dos que hoje são especialistas nas mais recentes tendências desse segmento, nem sequer tenham vivido esse advento.

 

O mundo é pós-digital.

 

E todo impacto das mudanças na sociedade e nos negócios trazem para a comunicação inovações tecnológicas que fazem com que, hoje, nem percebamos como o mundo digital participa de nossas vidas a todo momento.

 

As características a serem exploradas agora são individuais e muitíssimo mais levadas em consideração na hora de produzir e promover conteúdos para uma audiência. Mais do que um banco de dados é preciso pensar em um banco de fatos, como conceitua Walter Longo. “Pessoas não são; pessoas estão”.

 

Certo. E onde queremos chegar com tudo isso? Onde entram as mudanças de formato?

 

Para acompanhar a versatilidade individual, o mercado precisou mostrar toda sua capacidade de adaptação, incorporando mudanças que são sutis, do dia a dia, mas que são rapidamente assimiladas pelo público. Ele quer conteúdo digital, e quer agora, em suas mãos.

 

Por entretenimento, informação ou trabalho, os vídeos são formatos de conteúdo cada vez mais consumidos. Segundo dados da Rock Content: vídeos representarão 80% do tráfego em toda a internet; todos os dias, 55% das pessoas do mundo assistem a um vídeo; e 90% dos usuários acham que vídeos de produtos auxiliam durante a decisão de compra.

 

Sejam os atraentes 360°, os clássicos, ou utilizando elementos da realidade virtual, o objetivo é sempre criar e aperfeiçoar a experiência do espectador, o usuário, seu cliente.

 

Com a linguagem selfie, os vídeos verticais tornam-se cada vez mais utilizados, tornando-o um formato muito considerado pelos produtores e especialistas em marketing, buscando a identificação e fidelização do seu público.

 

Hoje, sem a menor sombra de dúvida, nossos dispositivos são extensões do nosso corpo, cenário em que o conceito do mobile first se configura cada vez mais forte: as pessoas tendem a resolver quase tudo por seus smartphones, incorporando os vídeos em sua rotina, sem a necessidade de virar a tela ou modificar a interface com demais aplicativos abertos simultaneamente.

 

De acordo com dados de um recente estudo da empresa Teads, vídeos verticais possuem ad recall quase 3 vezes mais alto que os tradicionais, feitos para a TV, por exemplo. Sem contar que os consumidores expostos a esse formato são 39% mais suscetíveis à uma opinião favorável da marca anunciada.

 

Realidade virtual, vídeo-chamadas, conteúdo produzido pelo usuário, vídeos ao vivo, anúncios, toda a produção está adaptada ao formato vertical, com tempo de duração reduzido, tom mais informal, pronto para aquele que espera por storytelling diário.

 

No último ano, os smartphones, as plataformas de conteúdo em vídeo e até mesmo o YouTube contribuíram para o aumento da presença dos vídeos verticais em nossas rotinas, atividade que acontece muito mais à frente das telinhas do que de monitores ou do televisor.

 

Sim, a tendência é que este torne-se o formato padrão.

 

O número dos que apostam em publicidade no formato “retrato” também vem crescendo, onde também há números que mostram maior quantidade de views em anúncios nesse formato do que nos horizontais. Plataformas de streaming de vídeo (Youtube, Vimeo) vêm se adaptando, trabalhando na otimização das visualizações, inclusive com o lançamento do IGTV, forte competidor do Facebook para bater o Google em conteúdo produzido em vídeo. (Será?)

 

Porém, é preciso lembrar que nem tudo está ligado apenas à orientação vertical ou horizontal, mas, principalmente, à praticidade e à melhor experiência de usabilidade. Pensando assim, é só lembrar que quanto mais adaptado estiver, mais este conteúdo ganhará relevância.

 

Questionar modos tradicionais é uma prática constante. Esta é a tendência do momento, até que se prove o contrário – ou se descubra um novo formato.

 

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